2009
07.04

Repare no semblante dos senadores petistas na foto ao lado. Está no rosto de Paulo Paim (RS), Ideli Salvatti (SC), Aloizio Mercadante (SP), Eduardo Suplicy (SP) e Tião Viana (AC) o tamanho do constrangimento imposto pelo presidente Lula ao obrigá-los, no cabresto, a apoiar o senador José Sarney, depois de terem pedido que ele deixasse o cargo. Na véspera, Paim já havia confessado que se sentia constrangido pela intervenção de Lula, que desautorizou a iniciativa dos senadores de sugerir a Sarney que se licenciasse.

Ontem foi ainda pior. Os senadores, que foram dormir de madrugada por conta do jantar com o presidente Lula, acordaram sacudidos pela notícia do envolvimento de Sarney em mais uma denúncia, a da omissão da compra de uma mansão de R$ 4 milhões. Pela manhã, em entrevista ao Gaúcha Atualidade, o senador Suplicy chegou a dizer que com a nova denúncia o quadro mudava e deixou no ar a hipótese de o PT retirar o apoio a Sarney.

A previsão de Suplicy naufragou depois do encontro de uma hora e meia de Lula com Sarney. O presidente, que voltou da Líbia para botar panos quentes na crise do Senado e ontem mesmo embarcou para a França, torrou dinheiro numa travessia do Atlântico que poderia ter sido evitada. Empenhou sua palavra com Sarney, garantiu a permanência dele no cargo e voou deixando a bancada de senadores cabisbaixa e desmoralizada diante dos eleitores.

Lula fez uma clara opção pela política do cabresto. E deixou mal os petistas que, mesmo sem mandato no Senado, fustigam os adversários que têm dificuldade para explicar a compra de casas ou justificar quaisquer outros sinais exteriores de riqueza.

Fonte: ZH

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